Flavio Perazzo Barbosa Mota
Administradores, publicado em 11 de junho de 2012
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Um dos maiores clássicos do cinema foi apresentado por Charlie Chaplin com sua obra prima chamada “Tempos Modernos”. No filme, Chaplin interpreta um operário em uma fábrica americana, representando um típico trabalhador “moderno”, capaz de executar movimentos precisos, dentro de um sistema de fabricação “perfeito”. Assistindo à atuação do grande comediante, as cenas se tornam hilárias. Para quem vivenciou ou trabalhou dentro desta sistemática, talvez não tenha sido tão engraçado.

Na verdade, o grande mérito do filme é a crítica embutida no mesmo, referente à sociedade de uma maneira geral, baseada, então, em um mecanicismo da qual parece não ter conseguido mais se libertar. Esse é o retrato da sociedade contemporânea, mesmo com o avanço do que conhecemos como pós-modernismo, muitos de nossos hábitos e ações ainda estão arraigados dentro de um cenário automatizado, que nos prende em uma rotina previsível. Mesmo a tão falada geração Y ainda sofre com a concepção e a herança da transformação da sociedade desde a Revolução Industrial.

A padronização continua crescente, poucas organizações apresentam-se inovadoras de fato, embora tenhamos um número infinitamente maior em relação àquelas pioneiras do início do século XX, época marcada por um capitalismo monopolista. As técnicas de gestão, de tempos em tempos, se reapresentam sob uma nova roupagem, contribuindo para a manutenção da estrutura que vivenciamos. Os livros acadêmicos de administração refletem isso, pois ainda estudamos tal qual prescreveu Henri Fayol.

Não nego que o mundo mudou, o pós-modernismo nos mostra mudanças no âmbito da sociedade. Novos elementos surgiram, paradigmas são multiplicados e passam a serem aceitos simultaneamente. Contudo, em tempos de conhecimentos “fast food”, questiono: o que temos de novo realmente no campo da administração? O que estamos construindo? Nossos hábitos são, de fato, diferentes dos “tempos modernos” de Charlie Chaplin ou apenas acrescentamos novas ferramentas? As máquinas mudaram ou apenas foram adicionadas novas engrenagens?

É claro que essa discussão não se encerra nos argumentos apresentados. Há mais questões a serem abordadas, o tema não é tão simples quanto apresentado. O certo é que a reflexão se faz necessária. Paremos, pois, para pensar, para que possamos tentar, pelo menos, conduzir um pouco a máquina à qual fomos submetidos. Afinal, enquanto vivermos os tempos serão sempre modernos, mas os hábitos, necessariamente, não.

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