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Rainer Marinho da Costa 
Consultor Educacional Ower RR consultoria  Educacional Legal vinculado a Faculdade Modelo Curitiba e a  Faculdade São Braz Curitiba
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“Ou as saúvas acabam com o Brasil ou o Brasil acaba com as saúvas”
Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

Início este texto com esta parábola para ilustrar um pouco a ânsia regulatória do poder público brasileiro – as saúvas, que tenta de toda forma matar a inovação e a criatividade.

Lemos em prestigiosos artigos científicos que estamos a formar em nossas carteiras universitárias alunos para profissões, que dentro de poucos anos nem mais existirão, sem comentar que os formamos de modo equivocado, numa visão compartimentada, numa faculdade do século XX. De um lado, o professor ensinante e, de outro, o aluno ensinado. Sabemos que fazemos errado e continuamos persistindo no erro.

No último Censo do Ensino Superior constatou-se que as matrículas nos cursos tecnólogos teve uma redução de 12%, o que seria um contrassenso tendo em vista que, na sua concepção, são os cursos mais voltados ao mercado e que, portando, deveriam atender à esta mudança do mundo contemporâneo, sendo suas matrizes sempre atualizadas a estas novas demandas

Os tecnólogos nasceram na LDB de 1996 como uma ideia de Darci Ribeiro, inspirada nos community college americanos, que fornecem formação profissional de curta duração, normalmente de 2 a 3 anos, sendo uma grande novidade para o Brasil, indo contra a nossa cultura de bacharéis.

Logo de início, houve entendimento equivocado do termo, pensava-se que se tratavam de cursos de tecnologia e não de formação profissional de curta duração. Tanto que, de imediato, não houve, por parte das faculdades, solicitações de sua autorização, muitas preferiram ir para os ditos Sequenciais – outra modalidade criada na LDB mais que não era uma graduação.

No início dos anos 2000 o governo federal resolveu transformar os chamados Colégios Técnicos Federais em Centros Tecnológicos Federais e, por isonomia, os Colégios Técnicos particulares poderiam também pleitear o mesmo. Assim nasceram diversos Centros particulares tecnológicos, com autonomia para criar cursos, como previa a legislação dos centros, e com diversas nomenclaturas.

Na sua ânsia regulatória, o governo revogou a autonomia dos centros particulares e os transformou em Faculdades Tecnológicas. Todavia, cada uma criou seus próprios cursos tecnológicos com sua própria matriz e nomenclatura.

Como não há havia diretrizes para os tecnólogos, o próprio mercado acabou definindo o que cada curso deveria ofertar como curso, inclusive havendo a necessidade de um conselho de pessoas do mercado de trabalho participando das propostas de elaboração do curso.

Várias IESPs tentaram criar cursos inovadores com propostas diferenciadas, sobretudo nas áreas de web design, de propaganda e marketing, mas quando tentaram fazê-lo na área de saúde, foram barrados pelos Conselhos de áreas com a sua visão corporativista de restrição de mercado trabalho, tanto que um curso de nível médio era mais valorizado pelo conselho do que uma graduação de curta duração.

Por este motivo, e por existir mais de 1000 denominações diferentes para os cursos, segundo os órgãos regulatórios, havia a necessidade de arrumar a casa criando-se, neste momento, o Catálogo Nacional de Cursos Tecnológicos, com os chamados eixos.

Neste catálogo, a área de saúde ficou totalmente restrita e, na maioria das outras áreas, se mostrou como uma ampliação do Catálogo de nível médio, sendo este último, mais abrangente em vários aspectos.

Neste ponto chegamos ao âmago da questão: houve a permissão para inovar e criar novos cursos, no entanto, a burocracia para a respectiva aprovação é imensa. Ao nosso ver se a proposta dos Tecnológicos é atender de forma rápida o mercado de trabalho e a suas mudanças, os órgãos reguladores deveriam permitir, ao menos para quem  já tivesse algum curso reconhecido num determinado eixo, que pudesse ser renomeado de outra forma, revendo sua matriz curricular, sem necessidade de uma nova autorização e somente apresentar, no momento do reconhecimento esta mudança , dando assim, uma agilidade ao processo, mantendo o curso atualizado e atendendo a demanda de mercado e não somente fazendo uma mudança na matriz curricular, mas sim, mudando o próprio nome.

As faculdades isoladas, que são a maioria das IESPs, deveriam poder ter uma pequena autonomia de criar novos cursos tecnológicos, aproveitando que elas já têm o reconhecimento, dando uma ênfase em um aspecto ou direcionamento que seja interessante. Podemos citar como exemplo o eixo de Turismo, no qual observamos não há nenhum curso que faça a junção de marketing com publicidade ou publicidade em novas mídias entre várias outras novas profissões que surgem muito rapidamente.

O MEC possibilita a celeridade nos processos de autorização de tecnológicos para instituições bem avaliadas, o chamado bônus, no entanto, ressaltamos que o problema não está em autorizar os cursos rapidamente, mas sim, em criar novos tipos de cursos, com novas nomenclaturas, com outros perfis que estejam fora do Catálogo.

O grande problema é que o mundo do trabalho muda cada vez mais rápido e não conseguimos acompanhar elaborando novos cursos, pois nossos paradigmas são do passado, vivemos ainda no século XX, seguindo um catálogo que não permite criar de forma rápida e ágil novas propostas.

O mundo é 4.0 e a educação deveria também acompanhar esse ritmo. Para isso, as IESPs deveriam ter autonomia de criar novos cursos, conforme a demanda de mercado, se utilizando, como disse, de um curso seu já reconhecido, que não tenha mais demanda. Isto daria agilidade ao processo.

Os tecnológicos devem recuperar sua excelência de mercado e de inovação.

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