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Natalia Améndola*
Analista da Hoper Estudos de Mercado
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No passado, o ensino estava centrado na reprodução de informações e a fonte primária delas eram as instituições de ensino formal (IEF).

No cenário atual começam a surgir outras instituições não formais e a própria internet tem se convertido em um grande provedor de conhecimento.

Nas pesquisas realizadas pela Hoper, os alunos de graduação de todo Brasil revelam que os métodos mais utilizados pelos estudantes para esclarecer dúvidas são: em primeiro lugar a internet (o Tio Google) e os professores, seguido pelas consultas aos colegas de sala e por último as pesquisas em bibliotecas.

As novas gerações possuem o acesso à informação de modo quase instantâneo, basta possuir um notebook, celulares, Ipad, dentre outros aparelhos tecnológicos com conexão na web, para que isto seja possível.

Neste contexto, a educação formal perdeu o monopólio de provedora única do conhecimento que possuía no passado, porém, a formação dos jovens e novos profissionais ainda depende da passagem deles nas IEFs.

Dentro deste novo cenário, as IEFs têm a oportunidade de dar um passo à frente na formação desses estudantes. Não sendo a única fonte de procura de conhecimento, ela podem se especializar na formação das faculdades mentais, necessárias para manipular esse conhecimento suprindo as lacunas que as tecnologias não são capazes de prover.

No livro “The Shallows, What the internet is doing to our brains?”, o autor Nicholas Carr utiliza evidências obtidas em provas psicológicas e estudos neurológicos para mostrar que as buscas rápidas e os volumes condensados de informações vão deixando o cérebro raso.  Algumas das nossas habilidades cognitivas como a memória e a análise vão se deteriorando com o uso excessivo dos buscadores de internet, ou seja, ao mesmo tempo que a internet acelera o acesso à informação, é a mesma ferramenta que o deixa também com conhecimentos superficiais dos assuntos e com as habilidades mentais restritas.

Assim começam a surgir algumas necessidades educativas específicas a partir desta nova forma de aprendizagem tais como: a formação de filtros mentais, pensamento crítico, poder de análise, capacidade de concentração, capacidade de priorização, discernimento, dentre outras, que permitam suplantar essas dificuldades na utilização das novas tecnologias.

Com isto urge uma mudança de técnicas didáticas que tirem o foco da passagem de informação para a construção de processos mentais. Começam a ser mais eficientes algumas práticas tais como: debate de ideias, relações de conceitos, geração de novas teorias, comprovação de hipóteses e experiências diretas de teorias já existentes, aprofundamento de temas de pesquisa, argumentação, produção escrita, dentre outras.

No livro “Ensino que funciona” (Marzano,R; Pickering, D; Pollock, J) é abordado uma série de estratégias visando a melhora do desempenho dos alunos.  Estas estratégias estão baseadas na formação de diferentes habilidades mentais, muitas das quais citamos anteriormente,  não colocando o conteúdo como foco principal, mas sim,  a capacidade de manusear esse conteúdo.

A ênfase colocada nas habilidades e processos mentais tem como conseqüência uma melhor produção e performance do aluno. Além da contribuição no desenvolvimento pessoal do estudante, as IEFs passam a apresentar melhores resultados. Avaliações como o ENADE e ENEM, que hoje prevêem indicadores de desempenho das IEFs, estão baseados em muitos desses processos cognitivos.  Os alunos muitos vezes erram não por não possuir o conhecimento, mas sim por não entender o que foi perguntado.

A era digital, sem dúvida, traz um novo desafio para a geração de técnicas educativas atuais, porém é preciso se mudar a forma de entender e trabalhar com as informações, para realmente agregar valor no processo de aprendizado de nossos alunos.

* Natalia Améndola atua nas áreas de Gestão de Projetos, Pesquisa Quantitativa e Qualitativa. Graduanda em Ciências da Educação na Universidade de Buenos Aires (UBA) e Pedagogia. natalia@hoper.com.br

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