Destaques
Facebook

Simon Schwartzman
Folha de S.Paulo, publicado em 10 de outubro de 2011
***

NADA SABEMOS SOBRE AS MISSÕES DAS NOVAS UNIVERSIDADES NEM SOBRE O QUE SERÁ FEITO PARA QUE OS NOVOS PROFESSORES TENHAM QUALIFICAÇÕES E DESEMPENHO NECESSÁRIOS

O Brasil tem poucos estudantes de nível superior para o seu tamanho, 78% das matrículas são em instituições privadas e a maior parte das universidades públicas está nas capitais.

Então, o governo dá dinheiro para as universidades públicas contratarem mais professores e abrirem mais vagas e anuncia a criação de novas universidades no interior de Estados como Bahia e Pernambuco. O que pode haver de errado nisso?

Muita coisa, a começar pelo fato de que as universidades federais são muito caras e, com as exceções de sempre, não têm nem de longe a qualidade e a relevância que seria de se esperar.

Uma razão é que seus professores são contratados como funcionários públicos, nunca podem ser despedidos e recebem sempre a mesma coisa, pelo princípio da isonomia, como se dividissem seu tempo entre ensino e pesquisa -embora só uma pequena parte deles realmente faz trabalhos de pesquisa de alguma relevância.

A segunda razão é que as universidades federais são governadas por seus professores, funcionários e estudantes, que cuidam de seus interesses e não precisam estar atentos nem responder a metas, demandas e necessidades da região em que estão, nem em relação aos cursos que oferecem, nem em relação aos trabalhos de pesquisa e extensão que realizam na instituição.
OUTROS PAÍSES
Não é assim que as universidades públicas são formadas e funcionam nos países que levam a educação superior a sério. Nesses países, cada vez mais, as universidades têm missões claras a cumprir, seus dirigentes respondem a conselhos externos com a presença ativa de representantes do setor público e da sociedade, que zelam para que elas cumpram seus objetivos. Os professores também não são funcionários públicos, mas contratados de forma a impedir que se perpetuem nos cargos se não tiverem o desempenho esperado.

NOVAS INSTITUIÇÕES
Nada sabemos sobre as missões dessas novas universidades e cursos que estão sendo criados, sobre o que será feito para que os professores que estão sendo contratados tenham as qualificações e o desempenho necessários, nem que existam mecanismos para avaliar e corrigir os rumos das instituições que não funcionem.

Tudo indica que continuaremos tendo mais do mesmo, ou pior.

SIMON SCHWARTZMAN é pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e foi presidente do IBGE.

Avaliar

Uma resposta para “Universidade federal é cara e não tem tanta qualidade”

  • A primeira questão colocada aponta para a ausência de qualidade de ensino nas universidades públicas,portanto,
    o segmento privado do ensino superior está diante da especial possibilidade de incentivar e dar evidência às faculdades e às universidades que vêm ofertando uma prática diferenciada, que possa representar alternativa eficaz para o ensino oferecido pelas instituições públicas.
    A segunda questão está direcionada para a ausência de compromisso por parte de gestores e docentes nas universidades públicas. Nas privadas é mais dif´cil de ocorrer pois há princípios que orientam as ações dos gestores e docentes que buscam propiciar Educação de qualidade.
    Meu artigo completo pode ser lido no link: http://www.abmeseduca.com/?p=1466

     

Deixe uma resposta

Números do Ensino Superior

Quer contribuir para o blog da ABMES?

Envie seu artigo para o e-mail comunicacao@abmes.org.br com nome completo, cargo e foto e aguarde nosso contato!

Categorias
Autores
Arquivos