Liliana Giusti Serra*
Profissional com mais de 20 anos de experiência nas áreas de gestão de acervos documentais, arquitetura da informação em projetos web e bibliotecas digitais

Com a entrada da tecnologia nas bibliotecas, muitas mudanças têm sido observadas e acompanhar o ritmo do desenvolvimento tecnológico tem sido um desafio. Esta realidade não pode, porém, ser ignorada. Cabe às bibliotecas o empenho em adaptar-se a nova realidade e buscar integrar os desafios impostos pela tecnologia, desenvolvendo um novo modelo de negócio de forma a permitir que os e-books sejam aliados no processo de modernização.

As bibliotecas são consideradas como um organismo vivo, onde serviços e a guarda de informações, fisicamente caracterizadas por documentos impressos textuais, são centralizados visando atender à comunidade, ao usuário final. Este cenário é conhecido desde a identificação de guarda de coleções de documentos na Antiguidade, passando pela invenção de Gutenberg, até os dias de hoje. Com o advento das tecnologias, novas formas de propagar informações e conteúdos foram desenvolvidas, representando um desafio aos atores envolvidos no mercado editorial, que começa com o autor e segue pelo editor, livreiro, bibliotecário e, finalmente o usuário final. Acrescentando o fato que a forma como o leitor consome informações foi alterada e na diversidade de formatos e facilidade de acesso, o advento do livro eletrônico – e-book – mostra-se como uma realidade concreta e sem retorno. A agilidade de identificação, localização e disponibilização das obras através da internet permite ao bibliotecário derrubar as paredes das bibliotecas e prover aos usuários uma realidade diferente da estabelecida até o momento, com publicações acessíveis através de um clique, independente de horário de funcionamento, fuso horário ou localização geográfica do usuário ou da biblioteca. Os livros eletrônicos estão mudando radicalmente a realidade das bibliotecas e sua inclusão nos acervos deve ser pensada na forma de somar forças com o mercado editorial, garantindo a permanência dos negócios e cumprindo com sua função original: de preservação de publicações e acesso ao público.

O emprego de e-books nas bibliotecas apresentam diversas vantagens, destacando:

a)      Disponibilidade do acervo 24×7 e possibilidade de um atendimento a diversos usuários simultaneamente, não restrito a quantidade de exemplares impressos existentes nos acervos;

b)      São publicações ampliadas que permitem a interoperabilidade de informações, como consulta a dicionários, utilização de instrumentos de acessibilidade (leitura de voz) etc.;

c)       Não são perdidos, entregues com atraso, danificados;

d)      Podem ser compartilhados em diversos dispositivos;

e)      Não ocupam espaço físico para guarda em estantes e prateleiras;

f)       Podem ser pesquisados e acessados através do catálogo virtual das bibliotecas;

g)      São utilizados no meio acadêmico por estudantes e professores, contribuindo com o aumento de fontes de pesquisa;

h)      Permitem anotações, aumento da fonte, controle do brilho da tela e demais ajustes, de acordo com a preferência do leitor.

O mercado de venda de e-books não está completamente alinhado com as demandas das bibliotecas. Apesar de serviços oferecidos por distribuidores, observa-se certa relutância de algumas editoras em fornecer obras em formato digital. Esta motivação deriva do temor que as bibliotecas permitam o download indiscriminado dos arquivos e estes, uma vez em poder dos usuários, possam ser distribuídos livremente, caracterizando a pirataria.

Evidentemente muitos ajustes têm que ser definidos, entre eles as modalidades de aquisição e disponibilização dos e-books aos usuários finais. O mercado encontra-se com algumas possibilidades de aquisição de conteúdos digitais, porém observa-se que não existe uma regra para a comercialização. Avaliando as modalidades disponíveis atualmente, observa-se que será necessária uma forte adequação da forma como as bibliotecas trabalham e fazem a gestão de seus acervos. Com a diversidade de modalidades de aquisição, as bibliotecas deverão ter um controle sobre como ofertar as obras a seus usuários de acordo com os processos aquisitivos definidos com cada fornecedor. Estas definições serão repassadas aos usuários finais, resultando que uma obra pertencente a uma editora X pode ter a forma de empréstimo diferente de outra obra publicada pela editora Y. Esta variação decorre do fornecedor da obra, que pode ser um editor, agregador de conteúdo ou livreiro.

O atual momento é de indefinição. Se por um lado as bibliotecas desejam incluir os e-books em seus acervos, por outro o não estabelecimento de um modelo de negócios torna a disponibilização de títulos digitais estagnada. É necessária a definição de regras de aquisição e disponibilização de obras aos usuários finais de forma a atender a todos os envolvidos na cadeia produtiva do livro. A entrada dos e-books nos acervos impacta profundamente as atividades bibliotecárias desenvolvidas e os serviços ofertados aos usuários, contudo sua inclusão na rotina das bibliotecas é inevitável e irrevogável, sem a possibilidade de não inclusão destes suportes de informação na oferta de fontes existentes. As discussões envolvem o modelo comercial adotado no mercado editorial e em como as bibliotecas estão adaptando-se a este cenário.

 

*Ministrará o workshopE-books em bibliotecas: impactos e tendências” durante o ENB 2013 – V Encontro Nacional de Bibliotecários de IES & V Encontro Nacional de Bibliotecários Escolares. O evento será realizado no dia 29 de agosto, no Hotel Parkk Inn, em São Paulo, capital. Para mais informações e inscrições acesse: www.humus.com.br/eventos/enb/.

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