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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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Desenvolver as competências e habilidades do século 21 é um grande desafio. Mete medo e proporciona resistências da maioria de escolas de nível básico e superior. Nesse imenso mundo de possibilidades, muitas escolas estão digitando sua estrutura com hardwares e softwares da última geração. Mas não fazem   o mesmo em seus currículos, metodologias e avalições. (Prof. Rui Fava[1])  

Leio a coluna do biólogo Fernando Reinach publicada no Estadão aos sábados. Em linguagem simples, ele escreve sobre questões de Ciências, Medicina, Meio ambiente e Tecnologia, de maneira compreensível e coloquial. Para explicar o que é Tipping point, ele conta a história do cidadão que ensinava ao seu burro como diminuir de peso, reduzindo a cada dia a sua ração. Até que depois de meses de treinamento, quando o animal estava quase aprendendo, o dono surpreso numa manhã o encontrou morto.

Tipping point é, pois, quando um processo deixa de ser linear e muda abruptamente de direção. É o mesmo quando se coloca numa balança de dois pratos um saco de arroz de um lado e do outro vai se adicionando pesos. De repente o prato dos pesos despenca e a situação é completamente diversa.

É a reflexão que faço sobre as novas tecnologias, do digital, da robótica e da inteligência artificial, que dominarão o ambiente de trabalho. Nossa responsabilidade como educadores é perceber que quem não estiver preparado para este novo mundo estará condenado a exercer profissões medíocres e a morrer de fome. O Tipping point diferenciará os que dominam e os que não dominam o mundo digital.

Em reportagem de domingo do Globo essa teoria se confirma: “Tecnologia ameaça mais da metade dos empregos em todas as cidades do país”. Segundo levantamento do Laboratório do Futuro, Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mais de 27 milhões de trabalhadores em todos os 5.570 municípios brasileiros serão diretamente impactados pela automação.

Portanto, o desafio a ser enfrentado será qual a melhor estratégia de ensino a ser aplicada no sistema universitário brasileiro para que nossos estudantes possam dominar o mundo digital. E isto só poderá acontecer se o sistema compartilhar experiências e focar nessa direção.

Praticamente todos os artigos que escrevi neste ano exprimem que estamos num momento de ruptura entre a forma de ensinar do   passado e da realidade que está surgindo. O sistema universitário brasileiro vai precisar estar atento para sobreviver empresarialmente. Muitos dizem que ficará tudo como está, porém os sinais de mudança estão claros.

Movimentos socioeconômicos, geopolíticos, tecnológicos e demográficos terão impacto direto no mercado de trabalho, com o aparecimento e o desaparecimento de profissões no contexto da Quarta Revolução industrial.

Estamos em plena era da robótica, da inteligência avançada, da automação das máquinas. Todas as atividades humanas, empresariais e ambientais estão sentindo as transformações da tecnologia da informação e comunicação.

As mudanças tecnológicas avançam exponencialmente, apesar de continuarmos pensando linearmente. Em todas as áreas estas transformações radicais afetam as vidas das pessoas e vão atingir a maneira delas aprenderem, de conviverem e trabalharem.

O desafio do ensino superior é adequar-se. E, para continuar a empreender, as instituições devem se ajustar aos novos tempos. O aluno aprende em todos os lugares através de todas as mídias e por meio de experiências. O professor não é mais o transmissor de informações e conhecimento, que aprendeu nos livros.

O aprendiz não precisará todos os dias deslocar-se de sua residência ou local de trabalho para ir à escola. Ele pode pelo celular e de qualquer lugar ter acesso à informação. Mudou o perfil do aluno criado com muito mais liberdade e com domínio total de meios e ferramentas de informação.

A percepção, cada vez maior, que o aluno tem é que não encontra relevância e/ou pertinência nos estudos tradicionais e que o diploma não tem mais a capacidade de abrir as portas do mercado de trabalho.

Do outro lado, o mercado de trabalho deseja profissionais que dominam o universo digital, conheçam suas áreas e tenham habilidades e competências socioemocionais. A robotização dos empregos que requerem mão-de-obra intensiva e que minimizam a necessidade de seres humanos torna obsoletas várias profissões e demandam constante profissionalização para a pessoa se manter no mercado de trabalho.

O conteúdo dado em sala de aula está defasado no ano seguinte de seu aprendizado. O conceito válido hoje é do aprendizado a vida inteira. O mercado se queixa que o diplomado não recebeu na faculdade os pré-requisitos necessários para a profissionalização.

As faculdades que cresceram graças à estratégia de sala de aula tradicional não estão sensibilizadas com os novos tempos e ainda não perceberam que as instituições precisarão conviver com o novo modo de aprender.

Muita gente pensa da mesma forma. Vejamos dois exemplos: o material “O futuro do ensino superior: a era da Educação 4.0”, enviado pela Contato Consultoria, e a síntese da palestra do Prof. Carbonari sobre “A Crise Nas Instituições Educacionais”, realizada na última reunião do Conselho da Administração (CA) da ABMES.

Para não ficar só no discurso e como não existe o alinhamento entre governo, empresa, universidade e sociedade, pensamos que somente um sistema compartilhado entre instituições poderá encontrar soluções para o desafio de preparar gente para empreender e trabalhar no mundo digital.

Acreditamos que um bom projeto compartilhado entre IES, que acompanhe as mudanças que as tecnologias digitais estão fazendo no ambiente de trabalho, possa  servir   de estímulo para  que nossas plataformas de ensino melhor se adaptem à formação de profissionais  mais ajustados aos desafios dos novos tempos. O MEC tem outros problemas para pensar e, certamente, este só depende na nossa estratégia colaborativa.

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[1] EDUCAÇÃO 3.0 – Como ensinar estudantes com culturas tão diferentes https://carliniecaniatoeditorial.files.wordpress.com/2012/09/educacao-3-0-segunda-edicao-rui-fava.pdf

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Uma resposta para “Vantagem competitiva entre os que dominam e os que não dominam o mundo digital”

  • valter stoiani says:

    A vantagem competitiva entre os que dominam e os que não dominam o mundo digital, consiste na capacidade de aprender a pensar. Desenvolver a atenção e a capacidade de observação da realidade, de fazer perguntas para si mesmo e para outras pessoas , para encontrar respostas adequadas, diante da vida e
    de seus desafios.
    O uso da inteligência artificial e da tecnologia, com seus algoritmos cada vez mais complexos, jamais substituíram um encontro entre duas pessoas ou uma roda de conversa.
    Mas o que pode e deve acontecer é que seres humanos inteligentes, possam usar tecnologia e a IA , para viver mais tempo e com qualidade de vida.
    O grande desafio a nosso ver é o preparo dos educadores e das famílias para que em sintonia possam colaborar para o preparo da nossa juventude para o desafio que se aproxima.
    Desafio não só econômico e desemprego com a substituição da mão de obra por robôs , mas o desajuste social e violência provocada por estas mudanças.
    Assim a bandeira principal será o de investir maciçamente na capacidade de pensar.
    substituir o pensamento comum ou selvagem( Levi-strauss) pelo pensamento de uma inteligência espiritual.(Danah Zohar) que estariam mais de acordo com os conhecimentos e aplicações atuais da física quântica e da lógica para-consistente( Newton da Costa).
    Só assim teremos o controle das máquinas e não seremos controlados por elas.
    Para tanto temos que criar um centro –laboratório de excelência científica, para dar suporte em escala , para professores e instituições de ensino.

     

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