Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
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Movimento de Conscientização da Sociedade Brasileira pela Educação – Não dá mais para ficar como espectador olhando para o trem da educação abandonado na estação. Dias viram semanas, passam anos, que viram decênio e continuamos a apontar os mesmos problemas da educação brasileira.

 A ABMES, assim como todas as entidades que representam o ensino brasileiro, detém em seus quadros de filiados dirigentes, administradores e profissionais de educação com expressiva experiência em suas áreas de atuação. Todos eles com dezenas de anos trabalhando para oferecer as melhores condições para um ensino de qualidade aos estudantes.

Mas essas profissionais têm condições de ir além, colaborando para aprimorar o sistema educacional brasileiro, pois trazem consigo uma bagagem de conhecimento que pode ajudar a melhorar substantivamente o ensino público, desde a educação infantil passando por todos os outros níveis.

É preciso mudar os mecanismos de gestão, hoje sabidamente defasados, como aponta levantamento da ONG Politize!. O que se constata na gestão pública é que a cada ministro que entra toda a estrutura é alterada e, normalmente, a nova equipe nada conhece da área ou demora a se inteirar e dar andamento aos processos. E o pior é que os políticos não entenderam até agora que educação só pode ser plano de estado e não de governo.

Foi por isso que pensamos na criação do Movimento de Conscientização da Sociedade Brasileira pela Educação, com o objetivo de sensibilizar a nação de que a educação é a chave que abre todas as portas: as do conhecimento, as da cultura, as da ciência, as da tecnologia, as do bem-estar social, as do trabalho e, principalmente, a porta da autodeterminação e da consciência cidadã.

À ABMES, como associação promotora, caberia criar uma agenda propositiva, para colaborar com o estado, com as empresas, com a sociedade e com as famílias para que de fato a educação seja um bem a ser conquistado por todos. E, para isso, organizaria uma equipe de profissionais qualificados e atuantes  para planejar ações concretas de como as associações da sociedade civil podem trabalhar  visando criar a consciência de que a melhoria da educação não depende só do estado, mas depende de cada um, de cada família, de cada empresa, de cada instituição e da sociedade civil.

A justificativa é uma só: não dá mais para ficar como espectador olhando para o trem da educação abandonado na estação. Dias viram semanas, passam anos, que viram decênio e continuamos a apontar os mesmos problemas da educação brasileira. E daí? Como isso nos afeta? Como afeta você? Vamos tentar pensar juntos? Queremos saber sua opinião sobre alguns problemas e assuntos que permeiam nosso dia a dia de quem trabalha com educação.

O trem da educação possui os trilhos que nossa Constituição e a LDB determinaram. Mas percebemos que há problemas ao longo desses trilhos que esperamos você possa nos ajudar a entender e propor alternativas, por exemplo, para:

  • O papel da família na formação do cidadão;
  • O papel da escola para a formação, para as atividades profissionais e para a vida;
  • O papel da burocracia na condução do processo educacional;
  • O papel da sociedade com suas organizações em seu compromisso social com a educação;
  • O papel do sistema produtivo na formação do indivíduo para que seja participativo e contributivo na produção e melhoria dos nos processos e na vida individual e familiar;
  • O papel da comunicação e da tecnologia para apoio ao desenvolvimento de novas práticas;
  • O papel dos sistemas educacionais para formar recursos humanos para o desenvolvimento do país;
  • O papel da pesquisa e das ciências como desenvolvedores do progresso;
  • O papel da educação como promotora da igualdade social em um contexto em que todos os estudantes possam ter as mesmas oportunidades.

Conceito que todos precisam absorver: escola não é mais só sala de aula. Apesar do coronavírus ser uma calamidade pública inesperada, deveríamos ter alternativas para que 50 milhões de estudantes do ensino básico da rede pública não ficassem o ano de 2020 sem ir à escola.

Vamos comparar a educação com uma grande ferrovia com trens em circulação. Os trens foram modernizados? Os operadores dos trens foram treinados e atualizados? E na comparação com outros países, não temos o trem de alta velocidade e o mesmo vem acontecendo com nossa educação. Então precisamos retificar nossas ferrovias educacionais, nossas máquinas, o pessoal que opera e nossa circulação.

Nesse sentido, sua opinião, suas convicções são importantes para que se possa pensar “fora da caixa” das alternativas legais e administrativas atuais, que impossibilitam pensar numa nova ferrovia educacional que possamos responder à dinâmica de uma sociedade em mutação.

Saiba, sua opinião, percepção e crença são importantes para que possamos juntos traçar uma nova Agenda, para formar um quadro referencial que possibilite a confecção de uma proposta, que tenha representatividade no conjunto do pensamento educacional atual.

Sua participação é importante e demonstra também seu comprometimento, sua preocupação e seu compromisso com a educação que temos, a que queremos e deveremos propor para sair desse marasmo atual. Vamos embarcar nessa nova ferrovia que juntos podemos construir e para ver se estamos no caminho certo vamos entrevistar as lideranças nacionais para responder as indagações seguintes:

Faz sentido instituir em nosso país a mística do valor da educação como forma de autodeterminação de seus cidadãos?

– Como envolver lideranças atuantes na sociedade brasileira em um movimento de apoio à conscientização pelo valor da educação?

– Como se conseguir no nosso país engajamento pessoal massivo pela causa do valor da educação como fator de emancipação cidadã?

– Qual a possibilidade de um movimento pela conscientização do valor da educação de modo que seja absorvido como responsabilidade da sociedade nos dias de hoje?

Precisamos que a sociedade brasileira mude sua percepção sobre educação e passe a considera-la a chave que abre todas as portas para a vida profissional, vida em sociedade, vida familiar e autodeterminação de cada um. Quem quer entrar nessa cruzada? As gerações futuras irão nos cobrar se não acordarmos a tempo de mudar a lógica de todo o processo educacional.

Somente depois de termos um panorama amplo de como as lideranças pensam a educação é que adotaremos as estratégias apropriadas para viabilizar este projeto.

O tempo está passando e não podemos perder esse “trem”.

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4 Respostas para “Você sabe qual é o papel e a função da educação para você e para o Brasil?”

  • valter stoiani says:

    Caro professor Gabriel.
    Vejo finalmente suas indagações como um estimulo para pensar, cada um dentro das suas possibilidades e competências, colaborando criativamente com soluções para o grande problema que é uma educação verdadeira e eficaz, que realize as pessoas e seus sonhos.
    1) Faz sentido sim instituir um grupo de trabalho de educadores especializados, que se destine tornar evidente o poder da educação, como forma de autodeterminação e autonomia dos cidadãos.
    2) Para envolver lideranças será necessário apresentar e realizar um projeto piloto, em pequena comunidade (município) como amostra do potencial transformador da criatividade como chave que abre todas as “portas-corações”.
    3) O engajamento global para educação em escala, será consequência dos resultados e evidências dos resultados do projeto piloto.
    4) A responsabilidade social decorrerá, da conscientização de que os políticos , governo , não conseguem sem ajuda social e da ciência, criar um método cientificamente elaborado que contemple o poder e o valor da educação, como mãe criadora de uma vida mais saudável e feliz para a humanidade.

    Este projeto piloto passa a ser então o “punhado de sementes” que plantados com o maior cuidado em terra fértil, poderá tornar evidente a possibilidade real de transformação.
    O primeiro passo passa a ser o convite para organizar este grupo de educadores e coordenar um projeto piloto, de criatividade aplicada à educação, sem fins lucrativos financeiros , isto é para que o verdadeiro lucro seja o bem , o belo e o justo para toda a humanidade.

     
  • Dr Gabriel,

    Iniciativa campeã. Faz todo sentido para mim!

    Abraço,

     
  • Parabéns pela iniciativa, professor, conte conosco.

     
  • Paulo Vadas says:

    Excelente proposta Professor Gabriel.

    Quem sabe, com todas suas determinantes, condicionamentos, expectativas, conceituações, e responsabilizações, não devemos iniciar os trabalhos do Movimento de Conscientização analizando o significado do Art 205 da Constituição Federal de 1988, a começar pela definição do conceito EDUCAÇÃO:

    “Capítulo III – Da Educação, da Cultura e do Desporto
    Seção I – Da Educação
    Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”

     

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